Argoncilhe (São Martinho de Argoncilhe) é uma vila e freguesia portuguesa do concelho de Santa Maria da Feira. Argoncilhe tem uma área de 8,7 quilómetros quadrados, cerca de 10 mil habitantes e é a freguesia do concelho de Santa Maria da Feira mais próxima da cidade do Porto. Situa-se no extremo Norte, rodeada por Grijó, Seixezelo, Olival e Sandim, freguesias gaienses, e Nogueira da Regedoura, Mozelos, Sanguedo, Lourosa e Fiães. Argoncilhe é uma vila sossegada, com bons acessos (EN1 e A1), o que permite à sua população chegar rapidamente quer a Santa Maria da Feira (10 quilómetros), a Espinho (8), a Gaia (13) ou ao Porto (15).
As origens mais remotas de Argoncilhe são, ao que tudo indica, a época pré-romana, e depois a romana, a crer na toponímia e nos achados arqueológicos, nomeadamente em Aldriz (lugar do Castro), onde estariam localizadas várias "villas". Quanto à origem do nome, não é assim tão unânime. Existem mesmo duas versões, que apontam para duas possibilidades etimológicas distintas. Segundo a primeira, Argoncilhe deriva de "areucillus", por sua vez diminutivo de "areub" (arco), resultando depois, em latim, "arcucillus" e finalmente "arcucillis", ficando em última instância "Argoncilhe" (arquinho). Já a segunda, aponta Argoncilhe como genitivo do nome pessoal "Dragoncellus", tendo evoluído da seguinte forma: "Dragunceli" (1086), "Draguncelli" (1091), "Dragoncelli" (1100 e 1102), "Dragonzell" (1114), "Ecllesian Sancti Martini de Argoncilhi" (1320), "S. Martinho de Dragoncilhi" (1337).
Cruz Milenar.
O documento escrito mais antigo referenciando Argoncilhe aparece em 1086, atestando a doação, por Sancha Bermudes, de vários prédios da "villa de Eldriz" (Aldriz) à Igreja de S. Martinho. Poucos anos depois, em 1091, são Ragui Ramirez e Ruderico Gunsalvez a referir-se à freguesia, numa carta de partilhas estabelecida com D. Soeiro Formarigues, relativamente a bens junto ao monte da Pena (Outeiro da Pena), na "villa Dragoncelli". As referências sucedem-se ao longo dos anos, tal como a de 1100, com D. Soeiro Formarigues novamente interveniente, ao adquirir os bens da "villa de Dragoncelli" pertencentes a Elvira Gouviaz. Característica marcante da história medieval de Argoncilhe é a sua ligação precoce e intrínseca a Grijó. Em 1093, foi um dos sete padroados doados ao Mosteiro de Grijó, juntamente com Perosinho, Serzedo, Grijó, Travanca de Bemposta, S. Miguel de Travaçô e Teirol. Uma doação feita por D. Bernardo, Bispo de Coimbra, e reformada depois, em 1137, pelo Bispo D. João, nas igrejas do território do Porto (que entretanto se estendeu pelas terras da Feira), ou seja, Argoncilhe, Perosinho, Serzedo e Grijó. Uma situação que se manteve até 1686, altura em que a freguesia fica independente do Convento dos Crúzios de Grijó, até 1834.
Desde sempre, a agricultura foi a actividade principal de Argoncilhe, mas a partir do século XX surgiram as primeiras indústrias, na área das madeiras e da serralharia. A partir dos anos 30, aparecem, em maior número, as pequenas indústrias. Nesta altura, ganha importância o fabrico do prego para a tanoaria, responsável pela criação de um elevado número de postos de trabalho, bem como pela difusão das artes para a construção civil. A exploração do volfrâmio foi também um marco crucial na história da vila, entre 1939 e 1945, responsável por grandes negócios, mas também pela emigração para a Venezuela, Brasil, França e Alemanha.
A chegada da electricidade à freguesia (1951) permitiu um avanço na modernização agrícola e industrial. A 14 de Abril de 1985, Argoncilhe ganha o estatuto de Vila, um marco determinante. Desde essa data, tem vindo a apresentar um desenvolvimento significativo.